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Diferenças genéticas em bebês concebidos por FIV desaparecem na idade adulta


As tecnologias reprodutivas parecem deixar uma “assinatura biológica” em vários genes que podem ser aferidos no nascimento. Isso pode explicar por que a concepção assistida aumenta a chance de parto prematuro, baixo peso ao nascer e anomalias congênitas.


“Mas a boa notícia, de acordo com pesquisa publicada na revista Nature Communications, é que essas mudanças epigenéticas desaparecem na idade adulta. De fato, as pessoas nascidas por meio da fertilização in vitro são tão saudáveis ​​quanto seus pares naturalmente concebidos”, afirma a ginecologista Melissa Cavagnoli, diretora da Clínica Hope.


Lição sobre epigenética

Epigenética é o processo pelo qual um organismo interage com o meio ambiente, ativando e desativando genes. Esse processo controla quais proteínas os genes produzem e o tipo de célula que se tornam, seja músculo, cérebro, pele.


O tempo em torno da concepção está associado ao amplo remodelamento epigenético do embrião, ativando e desativando genes e produzindo os diferentes tipos de células necessárias para estabelecer a vida.


“Influências ambientais, como a dieta, na época da concepção e na gravidez, podem influenciar a saúde da prole por muitos anos. Os processos biológicos associados a isso permanecem pouco claros, mas suspeita-se de alterações epigenéticas”, explica Melissa Cavagnoli, especialista em Reprodução Humana.


O que os cientistas supõe, hoje, é que é possível que a concepção via tecnologia reprodutiva assistida interrompa o processo epigenético, resultando em uma maior probabilidade de anomalias congênitas causadas por alterações epigenéticas.


Entenda o estudo

Como parte de um primeiro estudo mundial, a equipe de pesquisadores mediu o perfil epigenético de 158 pessoas concebidas por meio das terapias de reprodução assistida e 75 pessoas concebidas naturalmente.


Foram estudados dois tipos de terapias reprodutivas assistidas: a fertilização in vitro (FIV), onde a fertilização ocorre no laboratório, e a transferência intratubária de gametas  (GIFT), onde a fertilização ocorre nas trompas de falópio da mulher.


Ambas as técnicas requerem estimulação ovariana – medicação para estimular os ovários a liberar vários óvulos.


Com a permissão dos participantes, os pesquisadores compararam a amostra de sangue no calcanhar do recém-nascido, que havia sido coletada rotineiramente no nascimento, com a amostra de sangue colhida na idade adulta, com idade entre 22 e 35 anos.


O que foi encontrado

Recentemente, os pesquisadores fizeram uma análise das avaliações clínicas desses mesmos adultos, que não mostraram resultados adversos à saúde relacionados ao crescimento, risco de doenças cardíacas, diabetes, derrame ou problemas respiratórios e status psicológico e social. Em outras palavras, os resultados foram semelhantes aos do grupo concebido sem tecnologias de reprodução assistida.


Nesta última pesquisa, os pesquisadores encontraram claras alterações epigenéticas nas amostras de sangue dos bebês nascidos por meio de tratamentos de reprodução assistida, inclusive em vários genes previamente estudados.


“No entanto, de maneira tranquilizadora, a maioria dessas variações epigenéticas não foi detectada na idade adulta. Isso sugere que essas diferenças se resolvem com o tempo. As mudanças ocorreram tanto naqueles concebidos por fertilização in vitro (em laboratório), quanto por GIFT (na trompa de Falópio)”, conta a diretora da Clínica Hope.


Os pesquisadores defendem que  a estimulação ovariana – ou a própria infertilidade – parece ser o principal fator de mudança no perfil epigenético, e não o processo de crescimento do embrião no laboratório.


O que isso significa?

“Este é o primeiro estudo a examinar internacionalmente o perfil epigenético de pessoas nascidas através das terapias de reprodução assistida, do nascimento até a idade adulta. Os resultados sugerem que a concepção através da reprodução assistida provavelmente não influencia na atividade dos genes ao longo da vida de uma pessoa – quaisquer alterações associadas à reprodução assistida parecem desaparecer com o tempo”, informa Melissa Cavagnoli.


São necessários mais estudos para descobrir quando as mudanças começam a desaparecer e quando não estão mais presentes. Também será importante entender como processos específicos da tecnologia de reprodução assistida, como a estimulação ovariana, afetam o perfil epigenético em desenvolvimento.


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