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Preservação da fertilidade do paciente transgênero


Você é um garoto transgênero de 14 anos que optou por bloquear a puberdade feminina, antes que ela pudesse começar… Mas o que aconteceria se você e seus pais decidissem preservar alguns de seus óvulos, caso você deseje ter filhos mais tarde?


Neste caso da vida real, mencionado acima, os médicos conseguiram recuperar e congelar quatro óvulos viáveis ​​do paciente, que nasceu menina, mas identificado com o sexo masculino. As descobertas foram publicadas em um artigo do New England Journal of Medicine.


“Segundo o relato dos pesquisadores, o processo foi tudo, menos simples, pois os bloqueadores hormonais usados ​​para interromper a puberdade feminina colidiram com os medicamentos de fertilidade usados ​​para estimular a produção de óvulos”, explica a especialista em reprodução humana, Amanda Volpato, diretora da Clínica Hope.

O adolescente acabou menstruando, pela primeira vez, e também apresentou um ligeiro desenvolvimento mamário, um efeito colateral “angustiante” para uma pessoa que se identifica como homem, disseram os médicos.


“O paciente e a mãe foram avisados ​​de que isso provavelmente aconteceria, mas quando aconteceu, mesmo com o paciente ciente disso, foi chocante e desconfortável”, observam os autores do estudo.


O paciente passou por um breve período de depressão que incluiu pensamentos suicidas, mas agora, está saudável e passando pela puberdade masculina com a ajuda da terapia com testosterona, relatam os médicos.


Parentalidade no futuro?

A preservação da fertilidade é uma opção que precisa ser avaliada pelos adolescentes transgêneros, que desejam passar por tratamentos com terapia hormonal para alinhar seus corpos às suas identidades sexuais.

“Os médicos responsáveis por esses pacientes devem ser incentivados a abordar essa questão e aconselhar os pacientes transexuais adolescentes e suas famílias, pois a maioria desses jovens não está pensando no futuro, muito menos ​​na preservação da fertilidade”, afirma Amanda Volpato.


Segundo os autores do estudo, é típico que as pessoas trans iniciem o tratamento hormonal sem pensar na manobra de preservação da fertilidade. No caso relatado no estudo, o adolescente e seus pais solicitaram aconselhamento sobre o tema. O foco inicial foi interromper a progressão do sexo natal [feminino], para que o paciente não fosse exposto aos hormônios femininos.

O adolescente começou a tomar bloqueadores hormonais para que a puberdade feminina não se iniciasse.


Preservação dos óvulos

Com o processo iniciado, os médicos que acompanhavam o adolescente trouxeram à tona a questão da preservação da fertilidade. Após algumas idas e vindas, o paciente e seus pais decidiram que queriam tentar recuperar e congelar os óvulos. Os pesquisadores, então, solicitaram auxílio dos especialistas em reprodução humana.

“Há cada vez mais e mais pacientes transgêneros em tratamento, mas há muito pouco publicado na literatura sobre o tema. Há pouca orientação para os profissionais. O trabalho multidisciplinar nesses casos é fundamental”, observa Amanda Volpato.


O caso deste paciente foi ainda mais complicado porque ele não havia completado sua puberdade feminina, os especialistas em reprodução humana não tinham certeza se congelar os óvulos era uma opção viável para a preservação da fertilidade desse paciente. Normalmente, para congelar os óvulos, os pacientes precisam completar a puberdade para obter óvulos maduros e capazes de serem fertilizados. A puberdade dele havia sido interrompida.


Então, o adolescente e sua família foram informados de que o método mais confiável seria interromper o bloqueio dos hormônios e progredir para a puberdade feminina, pois óvulos naturalmente desenvolvidos podem ser colhidos e congelados.


Efeitos colaterais preocupantes

O paciente rejeitou essa abordagem, não tendo interesse na puberdade feminina, então ele e sua família optaram por um outro meio de obter óvulos que poderiam ser congelados. Assim, os médicos prescreveram medicamentos para estimular a produção de óvulos, mas também mantiveram a terapia de bloqueio hormonal.


O adolescente experimentou efeitos colaterais rotineiros do processo, mas para ele, esses efeitos eram tudo, menos rotina… Os efeitos colaterais estavam relacionados exclusivamente ao diagnóstico e à identificação dele como homem transgênero. A razão pela qual ele usava o bloqueador de hormônios era para minimizar a exposição à puberdade feminina, mas em virtude de estimular o congelamento de óvulos, seus níveis de estrogênio aumentaram bastante. Na verdade, o paciente apresentou o desenvolvimento das mamas femininas e menstruou, o que foi preocupante para ele, compreensivelmente.


Transição através da puberdade

O desenvolvimento das mamas regrediu em três meses. Depois que o processo de recuperação dos óvulos foi concluído, o adolescente começou a usar testosterona e agora está passando pela puberdade masculina.

O estudo deste caso é muito importante porque chama a atenção para uma tensão real em relação aos cuidados médicos transgêneros.

“Mesmo quando chegamos a uma realidade em que indivíduos transgêneros têm atendimento oportuno e respeitoso, as opções atuais de tratamento podem colocar em risco a fertilidade. Embora sejam imperfeitas, é importante considerar estratégias para proteger a fertilidade”, diz a diretora da Clínica Hope.

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Diretor Clínico: Dra. Amanda Volpato Alvarez - CRM 122.447 - GINECOLOGIA E OBSTETRICIA - RQE nº 25680 - REPRODUÇÃO ASSISTIDA - RQE nº 25680-1

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